Jerome Kagan, um dos grandes psicólogos do século XX, está de volta à moda. Em cinquenta anos de pesquisas sobre o desenvolvimento infantil, Kagan dedicou-se ao estudo da ansiedade, e, quanto mais a doença aparece na sociedade moderna, mais atenção seu trabalho ganha. Aos 80 anos (parecem 65), ele joga tênis três vezes por semana e, mesmo aposentado desde 2000, segue batendo ponto no seu escritório na Universidade Harvard e mantém a língua afiada de sempre. Nesta entrevista a VEJA, durante a qual psicanaliticamente fumou cachimbo, ele critica pediatras e obstetras, diz que Freud disseminou o equívoco de que a ansiedade é ruim e - para alívio das mães e festa das feministas - afirma que a mãe não é mais influente do que o pai na criação dos filhos.
Estamos vivendo a "era da ansiedade"? A incidência hoje não é maior do que era ontem. No século XVI, a ansiedade vinha do risco de morrer antes dos 35 anos de doença infecciosa, ser assaltado na beira da estrada entre uma cidade e outra, ofender Deus e ir para o purgatório. Hoje, estamos ansiosos em relação a coisas diferentes, como status social, sucesso profissional, relação com amigos e cônjuges. O que determina a frequência e a intensidade da ansiedade são os genes, e os genes não mudaram do século XVI para cá. Mas o que determina o alvo da ansiedade é a cultura, e isso mudou.
A ansiedade é ruim? Desde que Freud disse que todas as neuroses vêm da ansiedade, passamos a ter um entendimento cultural de que a ansiedade é uma coisa tóxica. Não é. Todos nós somos ansiosos. Faz parte da condição humana, como ficar cansado, errar, sentir-se culpado, frustrado ou envergonhado. Não existe civilização em que ninguém fica ansioso. A ansiedade tem vantagens. As pessoas ansiosas são muito responsáveis e conscientes. Quando eu selecionava meus ajudantes de pesquisa, sempre que possível optava por jovens ansiosos, tímidos e introvertidos, porque eles trabalham com afinco e erram menos. Há pessoas ansiosas simplesmente brilhantes.
Albert Einstein era ansioso? Pela biografia dele, eu diria que não, mas T.S. Eliot era seguramente ansioso e ganhou o Nobel de Literatura em 1948. O matemático Paul Dirac era extremamente ansioso e também ganhou o Nobel de Física em 1933. Uma pessoa pode ser intensamente ansiosa, mas, se ela consegue trabalhar, relacionar-se no casamento, cumprir seu papel de pai ou mãe, não há problema. A ansiedade será um problema se atingir um estágio clínico, no qual vira doença, a superansiedade. Do contrário, só será problema para quem acha que é um problema. Conheço indivíduos altamente ansiosos que não interpretam sua condição como problema. Entendem que a vida é assim mesmo e estão satisfeitos.
De onde vem a superansiedade? Há dois argumentos. Os biólogos evolucionários dizem que a existência de hipervigilantes entre membros de nossa espécie foi decisiva na luta contra os predadores. Sob esse ponto de vista, portanto, a ansiedade foi uma vantagem adaptativa. O argumento contrário deriva da tese de Stephen Jay Gould (paleontólogo americano, 1941-2002) segundo a qual nem todas as mutações são úteis e positivas. Algumas são simplesmente subprodutos da evolução. O queixo é um exemplo. Ele não traz em si nenhuma vantagem adaptativa. O queixo existe como consequência arquitetônica do desenho da boca, esta sim uma solução evolutiva útil. A natureza simplesmente não saberia como construir uma boca como a nossa sem criar como subproduto o queixo. A tese de Gould pode ser aplicada à superansiedade. Ela seria um subproduto, uma sobra de algum outro arranjo genético positivo. Não sei qual dos dois argumentos é o mais correto, mas ambos fazem sentido. (31/01/2010)Por que algumas pessoas tem medo de demonstrar o que sentem?Entrevistada: Karen Camargohttp://www.bolsademulher.com/amor/escondendo-os-sentimentos-95141-2.html(13/01/2010)Diálogo é a saída quando os pais não aceitam os namorados dos filhosEntrevistada: Karen Camargohttp://www.abril.com.br/noticias/comportamento/conversar-opcao-quando-seus-pais-nao-aceitam-gato-515488.shtml(23/12/2009)Ansiedade causa efeitos distintos na produtividadeEntrevistada: Karen Camargohttp://www.vocecommaistempo.com.br/bn_conteudo.asp?cod=211(22/12/2009)Competitividade e jogos de poder só complicam os relacionamentos *
O medo de perder, ameaça constante para quem ama, apavora as pessoas muito competitivas e elas acabam criando os chamados “jogos de poder”, com os quais procuram dominar o ser amado, de modo a mantê-lo como que acorrentado. O casal precisa ficar atento para identificar esses jogos e eliminá-los, pois com o tempo eles produzem neuroses que comprometem a relação.
* por Rosa Avello, psicóloga.
Do bom e do melhor *
Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor". Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho. Bom não basta. O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor". Isso até que outro "melhor" apareça, e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer. Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis. Não que tenhamosq ue nos acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente. Se não dirijo a 140 km/h, preciso realmente de um carro com tanta potência? Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho ser promovido e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa? E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto? O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"? Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"? Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos. A casa é pequena, mas nos acolhe. O emprego que não paga tão bem, paga nossas contas. A TV está velha, mas nunca deu defeito. O homem tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos". As férias não serão na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo. O rosto já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.Será que precisamos mesmo de mais do que isso?
*Leila Ferreira é uma jornalista mineira com mestrado em Letras e doutorado em Comunicação que, apesar de doutorada em Londres, optou por viver uma vidinha mais simples em Belo Horizonte...Obrigada, Leila, por este lindo texto! (30/10/2009)
Você se considera rígido ou convive com alguém inflexível? Por Karen CamargoPessoas rígidas e inflexíveis geralmente cumprem regras impostas por outros ou por si mesmas. Esta característica pode, muitas vezes, limitar as relações ou mesmo dificultar a busca por novos caminhos, pois a pessoa acredita que somente um caminho é o correto.
Geralmente são pessoas que tiveram um aprendizado em meio de muitas regras, onde as famílias atribuem grande valor a normas de comportamento, sendo punidas quando as regras não são cumpridas ou onde a expressão das emoções era reprovada ou reprimida. Assim, a rigidez pode muitas vezes estar relacionada com a repressão de emoções ou de conflitos não resolvidos.
Pessoas rígidas, em geral, sofrem de dores de cabeça, enxaquecas. Elas impõem a si mesmas um grande sofrimento para atenderem suas altas exigências interiores e geralmente são perfeccionistas. São pessoas que estão constantemente tensas, “armadas”, como se estivessem o tempo todo em perigo. Ou seja, são pessoas que estão sempre ansiosas e em estado de alerta.
Os fatores comportamentais, psíquicos da enxaqueca são bastante complexos e contam muitas vezes com uma combinação de alto grau de exigência, cobrança interna exagerada, culpa excessiva, preocupações, ansiedades e tensões elevadas. (Peres, 2008).
Ser flexível não é sinônimo de falta de personalidade ou falta de opinião própria. Ser flexível é ter uma maior abertura para as regras, para limites, horários, o que pode muitas vezes causar menor prejuízo para as relações. Irritar-se porque o seu colega atrasou alguns minutos ou não fez aquilo que você esperava, vai fazer com que a frustração esteja sempre presente em sua vida. E muitas pessoas preferem impor seu jeito de pensar e agir também para evitar situações que envolvem frustração.
Todos nós precisamos de regras e limites. Elas são extremamente necessárias para um melhor convívio social, principalmente. A questão aqui é o quanto a pessoa rígida deixa de viver a vida com naturalidade, ou o quanto ela está sempre tentando convencer os outros de que a sua opinião é a certa, tornando assim desagradável a convivência com ela. Questões a se pensar: Por que tanta rigidez? O que poderia acontecer se você acrescentasse um pouco de flexibilidade em sua vida? Qual é a utilidade desta rigidez? Qual a função dela em sua vida? (04/08/2009)
Referências Bibliográficas.
Peres, M. (2008). Dor de cabeça: o que ela quer com você? São Paulo: Integrare
Vontade de agradar o tempo todo. Por que sou assim?Por Karen Camargo
Ser boazinha (o) demais, vontade de agradar o tempo todo. Esse é seu problema? Muitas pessoas se sentem na obrigação de serem boas, com o objetivo de nunca desagradar. Trata-se de pessoas prestativas, doces e simpáticas. Esperam pacientemente na fila, não se recusam a fazer um trabalho mesmo depois do expediente, não dizem não, recebem convidados em casa mesmo sem querer, ficam sem comer o que gostam para emagrecer, trabalham exaustivamente.
Um ressentimento muito comum dessas pessoas é não ver nos outros o mesmo empenho. Em todos esses casos existe uma necessidade de reconhecimento, os bonzinhos ficam sempre esperando que os outros tenham a mesma dedicação que eles. E quando percebem que o outro não se empenha, geralmente ficam frustrados. Muitos questionam o sentimento do outro, pois este não se empenha para o relacionamento como o bonzinho (a) se empenha.
E aí podem começar os conflitos. Muitas pessoas não sabem reagir à frustração. Em geral, elas ficam descontentes com tamanho descaso e muitas vezes com raiva. E aí existe o risco do bonzinho (a) virar aquela pessoa que reclama e cobra o tempo todo, pois nunca está satisfeito com as ações do outro. E nunca ficará, pois muito provavelmente o outro não tenha essa mesma necessidade de agradar o tempo todo. Mas o que leva uma pessoa a querer agradar tanto? Mesmo com os resultados como frustração, tristeza, decepção, porque a pessoa persiste com este comportamento?
Por trás de todo esse querer agradar está o medo da perda, da rejeição. O temor de que o menor erro possa trazer conseqüências ruins para seus relacionamentos faz com que a pessoa invista na perfeição, tomando muito cuidado com as suas ações e palavras. Assim, esta pessoa está constantemente ansiosa e tensa. A culpa é um sentimento muito presente, principalmente quando dizem não ou desagradam. Assim, o bonzinho (a) está sempre tentando adivinhar como os outros querem que ele seja e como deve agir, pois a opinião dos outros é fundamental. Aos poucos aprende a não ter desejo nenhum, opinião alguma. As necessidades dos outros são mais importantes que as suas.
Enquanto não conseguir obter aquilo que no fundo deseja (agradar para ter atenção), maior se torna a sua necessidade. O que na verdade esta pessoa mais deseja é ser aceita e valorizada. A grande questão aqui é a que custo. Talvez esta seja a pergunta para se pensar: os sentimentos de frustração, culpa e raiva valem à pena? Por que será que preciso tanto desta atenção do outro para ser feliz? Por que tanto medo de rejeição?
Leitura complementar:
Gockël, Renate (1997). O lobo come as boas meninas. São Paulo: Cultrix (29/07/2009)
"... Gostaria de saber como lidar com a ansiedade, como controlá-la. Não aguento mais conviver com ela..." (recebido via e-mail)Por Karen Camargo
Ouvimos esta pergunta diariamente no consultório. O número de pessoas que procuram terapia com o objetivo de controlar/eliminar sentimentos (ex: ansiedade, raiva, medo, ciúmes, frustração, tristeza, culpa, vergonha, etc) é surpreendente. É claro que tratam-se de sentimentos desagradáveis e, geralmente quando não gostamos do que sentimos ou pensamos, tentamos nos livrar desses eventos aversivos e doloridos. Tentar não pensar, evitar falar sobre, tomar remédios, beber, se drogar, podem ser exemplos de tentativas eliminar / diminuir os sentimentos.
Não gostamos de sentir ansiedade (por exemplo). E porque deveríamos gostar? É uma sensação desconfortável: ficamos tensos, o coração dispara, suamos, a respiração torna-se ofegante. Podemos ficar vermelhos, em alerta, preocupados e com dificuldade de raciocinar. E os pensamentos aparecem: “O que há de errado comigo?”, “Porque estou me sentindo assim?”, “Que constrangedor!”.
Assim, o melhor a pensar é como nos livrar disso tudo. E esta “solução” faz sentido, principalmente se você almeja sentimentos como alegria, amor. Convido você para uma pausa. Vamos pensar juntos: a vida está constantemente nos oferecendo situações em que somos surpreendidos por emoções ruins. E este é um fato: viver é estar diante da possibilidade de viver emoções assim. Não podemos escapar do sofrimento, pois teríamos que deixar de sermos humanos. Não podemos controlar nossa vida para viver só sentimentos e pensamentos agradáveis. Mais hora menos hora, seremos surpreendidos (ex: acidentes, mortes, assaltos, brigas, etc).
Estamos tentando nos livrar desses sentimentos e pensamentos o tempo todo. Ao longo de nossa vida, nos foi ensinado a importância de irmos em busca da felicidade ou que devemos sempre pensar positivamente. Nossa cultura nos mostra constantemente que o certo é ser feliz. A mídia ensina que se comprarmos tal coisa, seremos mais felizes. E aí estamos diante de um dilema: “Se devo ser feliz, logo devo me livrar da tristeza (ou da raiva, da ansiedade, etc)”.
Termino este texto com uma reflexão. Viver é (também) sentir dor, sentir coisas desagradáveis. Será que tais emoções não podem servir para algo? O que podemos aprender com elas? Elas não poderiam nos dar dicas valiosas daquilo que nos importamos ou de nossos valores? (17/05/2009)
Referência bibliográfica:
Walser, R.D; Westrup, D. (2009) The mindful couple. Oakland: New Harbinger
Ele (a) tem muitos defeitos. O que fazer?Por Karen Camargo
Se algum dia você já se apaixonou, não preciso então dizer a maravilhosa sensação que é estar apaixonado. A vida fica mais colorida, ela se enche de significado e nos sentimos únicos. Vocês ficam juntos e aí chega o dia que você descobre que ele deixa toalha molhada em cima da cama, que ela fica ansiosa quando ele não chega do trabalho ou que fala demais. Ele vê muita televisão e não a escuta como deveria.
Neste momento, é comum pensarmos que a opção foi errada, que o seu parceiro (a) não é aquele príncipe / princesa que você imaginou. E é neste momento que o relacionamento realmente começa. De fato, esta é a oportunidade para o início de um amor verdadeiro. Por amor verdadeiro eu menciono um espaço para crescimento mútuo, devoção e compartilhamento. É muito mais fácil amarmos o que nos é agradável, amável e muito difícil amarmos o que é desagradável ou cheio de defeitos. Realmente podemos descobrir no outro algo não atrativo, frustrante ou desapontador. Mas todos nós temos características que não são agradáveis, não é mesmo?
A questão aqui é compreender que nunca haverá aquele parceiro (a) sem nenhuma característica indesejável. A questão aqui é: Devo aceitar esta pessoa, mesmo com essas características ou permaneço sozinho? O termo aceitação utilizado aqui é diferente de resignação, ou seja, o termo aceitação neste contexto pode ser entendido em um sentido mais amplo como “estar aberto para”, estar disposto a conviver mesmo com as diferenças. E neste sentido, podemos falar não só das características dos parceiros (as) mas também de nossos amigos e familiares.
Não estou mencionando que a partir de agora vou aceitar ser agredida fisicamente por meu parceiro (a) porque estou exercitando a aceitação. Certamente esta opção traria ainda mais sofrimento. A questão aqui seria verificar se as características que incomodam não estão em conflito com os nossos valores ou com os nossos limites.
Talvez o grande desafio desta questão da aceitação nos relacionamentos é compreender que os sentimentos e pensamentos advindos das características incômodas de nosso parceiro (a) como raiva, desapontamento, tristeza, desprezo poderão estar presentes. Não pense que exercitar a aceitação vai fazer você deixar de sentir tais emoções. Você realmente gostaria que tais emoções não estivessem sendo vividas, mas este é o desafio que os relacionamentos oferecem. A questão é: Você consegue conviver com tais sentimentos? O quanto eu consigo conviver estas (desagradáveis) características do meu parceiro (a)? (21/04/2009)
O contrato de casamento, por Stephen Kanitz ¹
"Casamento é o compromisso de aprender a resolver as brigas e as rusgas do dia-a-dia de forma construtiva, o que muitos casais não aprendem, e alguns nem tentam aprender."
Na semana passada comemorei trinta anos de casamento. Recebemos dezenas de congratulações de nossos amigos, alguns com o seguinte adendo assustador: "Coisa rara hoje em dia". De fato, 40% de meus amigos de infância já se separaram, e o filme ainda nem terminou. Pelo jeito, estamos nos esquecendo da essência do contrato de casamento, que é a promessa de amar o outro para sempre. Muitos casais no altar acreditam que estão prometendo amar um ao outro enquanto o casamento durar. Mas isso não é um contrato. Recentemente, vi um filme em que o mocinho terminava o namoro dizendo "vou sempre amar você", como se fosse um prêmio de consolação. Banalizamos a frase mais importante do casamento. Hoje, promete-se amar o cônjuge até o dia em que alguém mais interessante apareça. "Eu amarei você para sempre" deixou de ser uma promessa social e passou a ser simplesmente uma frase dita para enganar o outro. Contratos, inclusive os de casamento, são realizados justamente porque o futuro é incerto e imprevisível. Antigamente, os casamentos eram feitos aos 20 anos de idade, depois de uns três anos de namoro. A chance de você encontrar sua alma gêmea nesse curto período de pesquisa era de somente 10%, enquanto 90% das mulheres e homens de sua vida você iria conhecer provavelmente já depois de casado. Estatisticamente, o homem ou a mulher "ideal" para você aparecerá somente, de fato, depois do casamento, não antes. Isso significa que provavelmente seu "verdadeiro amor" estará no grupo que você ainda não conhece, e não no grupinho de cerca de noventa amigos da adolescência, do qual saiu seu par. E aí, o que fazer? Pedir divórcio, separar-se também dos filhos, só porque deu azar? O contrato de casamento foi feito para resolver justamente esse problema. Nunca temos na vida todas as informações necessárias para tomar as decisões corretas. As promessas e os contratos preenchem essa lacuna, preenchem essa incerteza, sem a qual ficaríamos todos paralisados à espera de mais informação. Quando você promete amar alguém para sempre, está prometendo o seguinte: "Eu sei que nós dois somos jovens e que vamos viver até os 80 anos de idade. Sei que fatalmente encontrarei centenas de mulheres mais bonitas e mais inteligentes que você ao longo de minha vida e que você encontrará dezenas de homens mais bonitos e mais inteligentes que eu. É justamente por isso que prometo amar você para sempre e abrir mão desde já dessas dezenas de oportunidades conjugais que surgirão em meu futuro. Não quero ficar morrendo de ciúme cada vez que você conversar com um homem sensual nem ficar preocupado com o futuro de nosso relacionamento. Nem você vai querer ficar preocupada cada vez que eu conversar com uma mulher provocante. Prometo amar você para sempre, para que possamos nos casar e viver em harmonia". Homens e mulheres que conheceram alguém "melhor" e acham agora que cometeram enorme erro quando se casaram com o atual cônjuge esqueceram a premissa básica e o espírito do contrato de casamento. O objetivo do casamento não é escolher o melhor par possível mundo afora, mas construir o melhor relacionamento possível com quem você prometeu amar. Um dia vocês terão filhos e ao colocá-los na cama dirão a mesma frase: que irão amá-los para sempre. Não conheço pais que pensam em trocar os filhos pelos filhos mais comportados do vizinho. Não conheço filho que aceite, de início, a separação dos pais e, quando estes se separam, não sonhe com a reconciliação da família. Nem conheço filho que queira trocar os pais por outros "melhores". Eles aprendem a conviver com os pais que têm. Casamento é o compromisso de aprender a resolver as brigas e as rusgas do dia-a-dia de forma construtiva, o que muitos casais não aprendem, e alguns nem tentam aprender. Obviamente, se sua esposa se transformou numa megera ou seu marido num monstro, ou se fizeram propaganda enganosa, a situação muda. Para aqueles que querem ter vantagem em tudo na vida, talvez a saída seja postergar o casamento até os 80 anos. Aí, você terá certeza de tudo.
Stephen Kanitz é articulista da Revista Veja. Mestre em Administração de empresas pela univesidade de Harvard, foi professor titular da faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.Obrigada, Stephen, por este lindo texto. Abraços, Karen. (26/03/2009)
Vamos conversar sobre ANSIEDADE ?Por Karen Camargo
Inicio este texto agradecendo aos carinhosos e-mails que recebo diariamente de leitores e pacientes que dizem se enriquecer com meus textos. Atendendo ao pedido de um deles, falaremos hoje sobre ANSIEDADE. Antes de começar a escrever, fiquei pensando em como é complexo definirmos a ansiedade. Sabemos que a sentimos, mas muitas vezes não sabemos ao certo como, nem porque sentimos.
Começamos bem então: se sentimos trata-se de um SENTIMENTO! A literatura sobre o tema define ansiedade como um estado emocional com a qualidade do medo, desagradável, dirigido para o futuro, desproporcional e com desconforto subjetivo (Lewis, 1967). Talvez, o mais importante nesta primeira parte do texto é compreendermos que a ansiedade não é unicamente uma doença. Ela faz parte do nosso sistema de defesa e foi ela que permitiu estarmos aqui hoje lendo sobre ela: a seleção natural favoreceu os ansiosos, pois a ansiedade os salvou de algum perigo ou predador e por isso sobrevivem até hoje. Assim, não seria exagerado dizer que todos nós somos ansiosos (com variações, é claro) pois isso é produto da seleção natural.
De uma forma geral, a ansiedade é um sentimento incômodo, que gera desconforto e que muitas vezes está projetado para o futuro. A pessoa ansiosa costuma viver em constante estado de alerta, pois teme que algo (ruim / temido) possa acontecer no futuro e que isso possa gerar sofrimento. Assim, o medo, as preocupações são comuns nos ansiosos.
Esses medos e preocupações em excesso podem sim atrapalhar nosso cotidiano e muitas vezes virar doença. No Brasil, estima-se que 23% da população desenvolva algum tipo de distúrbio ansioso ao longo da vida. Os chamados Transtornos de Ansiedade são os seguintes: síndrome do pânico, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno de ansiedade generalizada, fobia social, estresse pós traumático e as fobias específicas.
Para terminar, é importante afirmar que a ansiedade pode ser um aviso de que algo não vai bem e que devemos lutar para descobrir o que está causando tal inquietação ou mesmo qual a função dela em nossa vida. Como a ansiedade sinaliza um perigo eminente, podemos refletir sobre o que pode estar aversivo ou causando angústia em nossa vida. Caso traga sofrimento, o tratamento deve envolver psicoterapia e em alguns casos, o uso de medicamentos. (28/02/2009)
Por que é tão difícil dizer não?Por Karen Camargo
Pode parecer bobagem, mas esta simples palavrinha está na lista das palavras mais difíceis de dizer ou colocar em prática. Dizer não é, principalmente, dizer para o outro sobre nossas vontades, nossos desejos e também informar a respeito dos nossos limites.
Para as pessoas que tem dificuldade em dizer não, negar um pedido ou mesmo impor suas vontades é muito desafiador. Dizer não pode ser algo bastante complexo e não dizê-lo pode trazer conseqüências muito ruins como, por exemplo, excesso de trabalho, estresse, dificuldade na manutenção do tempo, dificuldades nos relacionamentos, entre outros.
Muitas pessoas receiam dizer não pois temem desagradar o outro ou mesmo causar algum tipo de conflito. Muitas vezes pensamos que recusar um pedido pode causar sentimentos ruins no outro e, se isso acontece, provavelmente não seremos tão queridos. O perigo disso seria passar uma mensagem de estarmos sempre disponíveis, prontos a atender a demanda alheia.
Dizer não está diretamente relacionado com a habilidade de afirmar-se. Trata-se de uma prática que envolve assertividade. Muitas vezes achamos que dizer não poderá ser ruim, mas, muitas vezes o dizer sim (quando se quer dizer não) pode trazer conseqüências ruins para a saúde emocional como raiva e frustração, por exemplo.
Não é possível agradar a todos, o tempo todo. Neste sentido, mesmo quem diz sim para tudo, seja para evitar conflitos ou manter uma boa impressão, pode deixar de lado aspectos importantes sobre si: vontades pessoais, opiniões, limites.
Uma questão delicada sobre esta dificuldade está no fato de que a pessoa coloca o outro como prioridade e não a ela mesma. Se eu digo sim a um pedido só para agradar a pessoa e sem querer fazê-lo, eu estou priorizando a pessoa atendida e não a mim mesmo. Caso você se identifique com tal dificuldade, sugiro o excelente livro “Não diga sim quando quer dizer não.”, de Fensterheim e Baer -Editora Record. (15/01/2009)
Mal humor pode ser doença e tem nome: DistimiaPor Karen Camargo
Sempre que pensamos em alguém mal humorado, lembramos de uma pessoa que está sempre no negativo, destacando apenas os aspectos ruins da vida. Ela nunca está satisfeita e a vida torna-se um constante reclamar. Os apelidos como “rabugento”, “resmungão”, “chato”, são atribuídas a pessoas com tal perfil.
O mal humor pode ser uma doença. A Distimia é um transtorno que pode ser entendido como uma forma crônica de depressão, podendo muitas vezes apresentar sintomas como alterações no apetite, alterações na qualidade e quantidade de sono, baixa energia ou fadiga, isolamento social, sentimentos de desesperança e insegurança. Muitas vezes o Distímico atribui a culpa no outro, ou seja, outras pessoas seriam as responsáveis pela sua desfavorável situação.
A Distimia é um dos transtornos do humor mais comuns. Estima-se que esse distúrbio acometa entre 3% a 5% da população geral, afetando igualmente homens e mulheres. Vale lembrar que muitas pessoas portadoras da doença não sabem que têm tal problema. Eles acreditam que os sintomas de pessimismo, negativismo, tristeza e baixo nível de energia são normais.
A doença não deve ser subestimada, pois o portador corre um risco 30% maior de desenvolver quadros depressivos graves. Neste sentido, o tratamento da Distimia deve ser considerado, e deve permear sessões de psicoterapia e o uso medicamentos. (06/12/2008)
Saber falar e saber ouvir
Poema sobre o escutar [i]
"Quando lhe peço que me ouçaE você começa a dar conselhosVocê não faz o que eu pedi.
Quando lhe peço para que me ouçaE você começa e me dizer Que eu não deveria me sentir deste jeito,Você está passando por cima dos meus sentimentos.
Quando lhe peço que me ouçaE você sente que deve fazer alguma coisaPara resolver os meus problemasVocê está falhando comigo.
Talvez seja por isso que a preceFunciona para algumas pessoas.Quando rezamos, não obtemos conselhosSomos escutados.
Então por favor me ouça!E se você quiser falar, espere alguns minutos até a sua vezQue eu prometo escutá-lo."(autor desconhecido)
Saber ouvir é um grande desafio. Maior ainda é conter a ansiedade quando queremos falar e não ouvir. Quantas vezes não esperamos nosso interlocutor terminar de falar e atropelamos, tentando colocar o nosso ponto de vista? Quantas vezes não cortamos a fala de um amigo, tentando colocar um comentário a respeito de nós mesmos?
Saber ouvir é buscar compreender o que se passa com o outro, é muito mais que escutar e darmos a nossa interpretação. Saber ouvir é cultivar a difícil arte da empatia, que é a habilidade de se colocar no lugar do outro e prestar atenção no significado de suas palavras, na maneira como ele transmite, em seu estado emocional, seus limites e conhecimentos. É olhar nos olhos, é perguntar se houve dúvida, é evitar interpretar, é buscar não atropelar.
Temos sido deficientes auditivos quando se trata em escutar verdadeiramente aquilo que precisamos ouvir. Trata-se de uma tarefa realmente difícil, pois envolve estar aberto para aprender quando no fundo queremos ensinar. Muitos conflitos de relacionamento (familiares, amorosas, de amizade) são mantidas por esta dificuldade. Quando exercitamos o ouvir e o falar aprendemos a compreender o outro e assim, consequentemente, podemos ser mais bem compreendidos.[i] Conte, F. C. S e Brandão, M. Z. S. (2007). Falo ou não Falo? Expressando sentimentos e comunicando idéias. Londrina: Mecenas. (18/10/2008)Qual a diferença entre Depressão e tristeza?Por Karen Camargo
Quando estamos diante de uma pessoa muito triste, atribuímos muitas vezes este estado ao quadro de Depressão. A associação entre os dois temas é bastante comum, porém suas conseqüências para a saúde física e mental diferem muito e tal diferença faz todo sentido quando falamos em tratamento.
A tristeza é definida como sentimento e é comum a todos os seres humanos. Todos nós já nos sentimos tristes em algum momento da vida. No entanto, a tristeza que sentimos talvez não tenha trazido consigo sintomas ou mesmo mudanças no nosso cotidiano.
A Depressão é uma doença de ordem psiquiátrica muito mais freqüente do que se imagina. Estudos recentes mostram que 10% a 25% das pessoas que procuram os clínicos gerais apresentam sintomas dessa enfermidade. Atualmente, a doença é a quarta causa de incapacitação para o trabalho, segundo a Organização Mundial da Saúde. Ela se caracteriza por mudanças no comportamento tais como: menor disposição para as atividades pessoais e profissionais, perda de interesse ou prazer, desesperança, sentimentos de culpa ou de baixa auto-estima. A pessoa se retrai socialmente e apresenta momentos de maior irritabilidade.
Essas características podem ainda acompanhar sintomas físicos como perda ou ganho de apetite, alterações do sono, retardo ou lentidão de movimentos, acentuação da fadiga, falta de energia para atividades simples, diminuição da capacidade de concentração, diminuição do interesse pelo sexo, entre outros.
O tratamento da Depressão deve envolver medicação e psicoterapia. Os antidepressivos auxiliam no reequilíbrio orgânico e biológico enquanto a psicoterapia pode auxiliar na compreensão de possíveis causas e funções da doença, além de favorecer a prevenção de recaídas. (11/08/2008)Ciúme excessivo: a luta pela possessividadePor Karen Camargo
É impressionante a quantidade de e-mails que recebo de pessoas assustadas por conta de uma emoção que traz muitas dificuldades nos relacionamentos: o ciúme. Muitos destes e-mails estão em busca da distinção entre o ciúme normal e o “fora do normal” além de possibilidades reais de tratamento para tal questão.
Um dos maiores desafios da construção de uma relação amorosa saudável e duradoura é o ciúme. Este sentimento é comum a todos nós seres humanos. Certamente você, eu e muitas outras pessoas já sentimos ciúme. Ele pode estar presente em qualquer tipo de relacionamento, nos amorosos, nas amizades, das relações entre pais, filhos, irmãos... Porém, há pessoas que levam este sentimento ao extremo. A queixa de muitas delas é a tentativa de controlar este sentimento e a consequente frustração por não conseguirem.
O ciúme pode ser entendido como sendo um conjunto de pensamentos, emoções e ações que são desencadeados por algum tipo de ameaça ao relacionamento. As definições de ciúmes geralmente têm em comum três elementos:
1) Ser uma reação frente à ameaça do relacionamento
2) A existência de um rival real ou imaginário
3) A reação visa eliminar os riscos de perda do amor
Enquanto o ciúme normal se caracteriza por ser transitório, específico e baseado em fatos reais, o ciúme excessivo seria uma preocupação infundada, irracional e descontextualizada. A queixa mais comum dessas pessoas é o controle que desenvolvem no relacionamento a ponto de “sufocar” o (a) parceiro (a). Muitos ciumentos podem ainda apresentar comportamentos de verificação (ligar constantemente, verificar se o parceiro estava falando a verdade, etc) ou mesmo atitudes violentas.
Os ciumentos muitas vezes se sentem arrependidos diante de atitudes excessivamente controladoras. E é nesse momento que muitos deles recorrem à terapia, principalmente depois que a relação já chegou ao limite. O medo da perda é o tema central do tratamento do ciúme excessivo, além da reavaliação do comportamento controlador.
Concluindo, muitos ciumentos sofrem em silêncio. Poucos deles sabem que o ciúme pode fazer parte de um quadro de “excesso comportamental” e geralmente não sabem que precisam de tratamento ou o procuram quando o relacionamento chega ao fim. Neste sentido, o (a) parceiro (a) ou mesmo as pessoas envolvidas podem ser indicadores importantes para a busca de tratamento. Se o ciúme tem atrapalhado de alguma maneira a sua vida, procure ajuda. (27/07/2008)Seu relacionamento é do tipo tênis ou frescobol ?
Rubem Alves nos presenteou com a poesia “Tênis e Frescobol”, passagem onde ele apresenta as diferenças entre os relacionamentos competitivos e cooperativos. Gostaria de dividir com vocês este lindo texto, tão útil quando falamos em relacionamento a dois:
" Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol.
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro. O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha."Certamente você identificou seu relacionamento entre uma destas modalidades esportivas. Os relacionamentos tipo frescobol, cooperativos, são especiais, pois visam um crescimento mútuo. Já nos relacionamentos tipo tênis, os objetivos são de competição e não cooperação. Mal sabe o casal que não existe um que ganha ou um que perde: os dois saem perdendo por construírem um relacionamento com esta base.
A boa notícia é que é possível sim mudar do tênis para o frescobol. O primeiro passo é ambos quererem construir uma nova relação. Talvez não seja, a princípio, tão fácil quanto pegar raquetes e manter a bolinha no ar, mas certamente o esforço será válido. O segredo é não deixar de treinar, e o treino deve ser sempre em dupla! Praticar um pouco por dia pode ser a grande receita para um relacionamento mais feliz! (07/07/2008)Referência Bibliográficahttp://www.rubemalves.com.br/tenisfrescobol.htmOutras Publicações:Assunto: AnsiedadeSite Guia da semana
Jornal A Tribunahttp://www.atribunamt.com.br/?p=9030Site Médico http://www.sitemedico.com.br/sm/materias/index.php?mat=430 Revista Noivas e Ciahttp://www.noivasecia.com.br/conteudo.php?cod=699 Revista Noivas e Festas http://www.noivaefestas.com.br/noticias.asp?id_noticia=27Assunto: DepressãoSite Noivas e Ciahttp://www.noivasecia.com.br/conteudo.php?cod=462Assunto: Relacionamento conjugalSite Bolsa de Mulherhttp://www.bolsademulher.com/amor/materia/guia_da_convivencia_conjugal/8656/1Jornal Globohttp://oglobo.globo.com/vivermelhor/mulher/mat/2007/10/25/326897189.aspRevista Estilo Natural http://estilonatural.uol.com.br/Edicoes/43/artigo46600-1.aspSite Minha Vidahttp://www.minhavida.com.br/materias/hotnews/Excesso+de+ciumes+tem+nome+transtorno+obsessivo+compulsivo.mvJornal Sul de Minashttp://jornalsuldeminas.com.br/alfredojunior/index.php?option=com_content&task=view&id=2198&Itemid=9Assunto: Comportamento alimentarSite Laboratório Roche / Xenicare http://www.xenicare.com.br/pc/obesidade/xenicare/web/de_bem_com_voce/materias/materia.asp?CAN=1&MAT=espelho_meu&AREA=COMPORTAMENTO&sub=18Site Guia da Semanahttp://guiadasemana.uol.com.br/noticias.asp?/TEEN/SAO_PAULO/&a=1&ID=16&cd_news=28423&cd_city=1Assunto: Pais e filhosRevista Pais e Filhoshttp://revistapaisefilhos.terra.com.br/conteudo_01.asp?cd_setor=10&cd_materia=913&ds_setor=ComportamentoRevista Meu Nenehttp://meunene.uol.com.br/edicoes/117/artigo69868-1.aspCentro de Reprodução Humana Nilo Frantzhttp://www.nilofrantz.com.br/asp/visualiza_imprensa.asp?codimprensa=38Assunto: Auto EstimaRevista Plastica e Beleza http://plasticaebeleza.terra.com.br/83/plastica/barbies_resumo.aspAssunto: SexualidadeIdmed Saúdehttp://www.idmed.com.br/saudeMateria.php?sessao=saude&topico=6&materia=90